Reintegração acontece na Sete de Abril, mas com pequena vitória

Estive hoje na Rua Sete de Abril, 355, onde mais de 250 famílias ocupavam um prédio que já não cumpria função social alguma há mais de 20 anos. Ocupavam! Já que, em 2ª instância, o Juiz Fernando Sastre Redondo decidiu, no último dia 15 de fevereiro, a causa em favor do proprietário Eduardo Messias Pedreiro.

Centro Ocupado

Moradores aguardam nas varandas a reintegração do imóvel

Às 6h, a Polícia Militar já se posicionava em frente à ocupação, que tinha as janelas da fachada lotadas por moradores e bandeiras dos movimentos de luta por moradias populares. No entanto, as lideranças do Movimento Pelo Direito à Moradia (MDM) e Movimento de Moradia Para Todos (MMPT) conseguiram, através do diálogo com a corporação, estender o cumprimento da ordem por algumas horas.

Isso porque ontem (20) os movimentos estiveram reunidos com o secretário de Habitação da Cidade de São Paulo, José Floriano de Azevedo, que a despeito da alegação que a verba para as demandas de atendimento e moradia estavam congeladas, pediu o prazo de até 10h do dia de hoje para tomar alguma medida em caráter de urgência.

Saiba mais sobre a ocupação na Rua 7 de Abril, 355

Enquanto todos aguardavam qualquer informação nova, conversei com alguns representantes dos movimentos que me explicaram alguns detalhes sobre a ocupação em si e me convidaram para conhecê-la. Lá dentro, todos estavam no primeiro andar para uma reunião onde as lideranças explicaram o que estava havendo e informaram aos moradores que não haveria resistência à força policial, mas sim um protesto em frente à Prefeitura em caso de haver resposta negativa.

Quando desci, presenciei talvez a cena mais emblemática dessa manhã. O Tenente Coronel da PM, João Luiz, chegou, deu explicações para algumas pessoas e entrevistas em tom conciliatório. Na sequência, porém, uma senhora o questionou sobre o que fariam ali naquele dia e com quais motivações. O Tenente Coronel respondeu que cumpririam ordens de um Oficial de Justiça e removeriam as pessoas que ocupavam o prédio.

A senhora rebateu automaticamente: “Já fui presa em 1964 jogando bombas em vocês e não tenho medo de armas ou gás que arde o olho [sic]; não deixarei ninguém entrar por aquele portão hoje pra retirar ninguém”. Não foi preciso lutar contra nenhuma resistência, mas o notório constrangimento do policial já foi o bastante para atingi-lo naquele momento. Ele ainda teve tempo de vociferar contra algumas atitudes da esquerda mundial, aparentemente sem motivo, antes de se retirar do local.

Ao fim, já eram quase 10h quando a resposta chegou: a verba emergencial fora liberada na Secretaria de Habitação (Sehab) e seriam firmadas parcerias sociais com todos os ocupantes cadastrados. Essa medida lhes confere um auxílio-aluguel por um período de 30 meses. Foi garantida, ainda, preferência para o encaixe desses moradores em projetos de moradia do governo, como prometera Haddad, segundo afirmaram membros dos movimentos.

Os ocupantes foram todos para a Sehab, onde houve reunião com o secretário para firmar os termos do acordo prometido. A decisão não garante moradia definitiva a nenhum dos trabalhadores – e famílias – que estavam no prédio da Sete de Abril, no entanto, o auxílio cedido faz com que essas pessoas não tenham que ir diretamente para a rua. E mostra, ainda, uma preocupação da atual Prefeitura com esse tipo de demanda.

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É uma vitória pequena em uma batalha que se desenha cada vez maior. Não é de hoje que os movimentos de luta por moradias pressionam os órgãos competentes para garantir direitos humanos básicos para milhares de famílias. Cabe, agora, a Prefeitura continuar atenta ao problema e tentar cada vez mais combater ou minimizar os efeitos de decisões do Legislativo como essa da ocupação da Sete de Abril.

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2 Respostas para “Reintegração acontece na Sete de Abril, mas com pequena vitória

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