Sem-tetos deixam hotel famoso por medo

Foi uma madrugada fria e tensa e à noite o esperado se concretizou

O medo da situação em que estava a região fez com que os moradores da ocupação no Othon Palace deixassem o prédio. A reintegração de posse não aconteceu na manhã da terça-feira, 18 de junho, mas um incêndio no primeiro andar do edifício, parte das consequências de uma manifestação pela redução da tarifa de ônibus, foi determinante para a decisão. Pela manhã, um recifense aguardava do lado de fora algum posicionamento das lideranças do movimento de moradia sobre o que aconteceria dali em diante.

Saiba mais sobre a ocupação na Rua Líbero Badaró, 190

Alexandro José F. da Silva, 20 anos, veio para São Paulo com o mesmo sonho de muitos nordestinos que migram à cidade: conseguir trabalho, dinheiro e constituir uma família. Conheceu a ocupação e decidiu participar da luta. “Aqui dentro do Othon aconteceram muitas coisas boas e muitas ruins”, comenta o funcionário de uma rede de fast food no centro de SP.

Com a reintegração mais distante, o garçom comentava que ainda ficaria por ali, apesar da ameaça de ficar sem dormir caso fossem obrigados a abandonar o prédio. No entanto, saíram durante a noite, já que durante a manifestação organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL), algumas pessoas depredaram a fachada do prédio e fizeram com que as pessoas que ali dormiam sofressem – ainda mais – com o gás utilizado pela polícia, uma vez que haviam montado um acampamento no primeiro andar do local.

A experiência na ocupação não é muito bem lembrada por Alexandro. “Ocupação não adianta não, é muito estresse. Você está no trabalho, mas fica preocupado com o que acontece dentro da ocupação, se vai sumir alguma coisa sua. Isso também causa insegurança”, pondera o jovem que escolheu viver no local ocupado, apesar de conhecer outros conterrâneos que moravam em apartamentos alugados.

Leia o relato da reintegração da Ocupação 7 de abril, 355

Uma das dificuldades dos moradores do prédio era a água. Até os instantes finais, se precisasse do recurso, Alexandro tinha que descer e subir os vinte andares que separavam sua casa e o andar térreo, onde existe um poço onde havia a única fonte de água no prédio. “Não aconselho ninguém a morar em ocupação. Não é todo mundo que se acostuma”, adverte o recifense que não imaginava morar em prédio ocupado quando chegou a São Paulo.

Apesar da saudade da família, que fica mais complicada nesses momentos de crise em São Paulo, ele não pensa em voltar pra casa. “Eu vou pensar mais um pouco, vou trabalhar mais um pouco. A situação financeira é bem mais complicada”.

Alexandro conta que nunca comentou com o patrão sobre sua moradia em São Paulo. “No caso, em nenhum momento eu cheguei a dizer ao meu gerente que morava em ocupação. Eu sempre dei um endereço de algum lugar”, explica com certa timidez. “Conta eu ainda não abri, porque o endereço é complicado. Tem que ter uma residência para conseguir”, conta Alexandro, que recebe seu salário em dinheiro vivo.

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