Uma das ocupações mais antigas do Centro de São Paulo é reintegrada após sete anos

Apesar da forte tensão, não houve confronto direto entre a PM e os ocupantes

Terça-Feira, 20 de abril de 2013. Às cinco horas e trinta minutos da manhã, os primeiros policiais da força tática chegaram à Rua Florêncio de Abreu, 48/54, para executar a reintegração de posse do prédio, que num passado distante abrigava as instalações das lojas Cem.  Logo depois, chegaram também os Bombeiros, a Tropa de Choque e a Polícia Militar, que isolou a área.

Foram cerca de cinco horas de negociação em que o comércio local ficou fechado.  Os moradores – que foram avisados da possível reintegração apenas na tarde de segunda – feira – dividiram-se: alguns optaram por não oferecer resistência e saíram do prédio. Outros permaneceram na sacada do imóvel, relutando. Dentre eles, muitas crianças.

Saiba mais sobre a ocupação na Florêncio de Abreu, 48

A ideia inicial dos líderes da ocupação era conseguir uma liminar que suspendesse o pedido de restituição e desse aos moradores, pelo menos, mais 15 dias para que as famílias conseguissem outro local para ficar. Era necessário, então, resistir. O prazo estipulado era aguentar até as 10 horas da manhã, segundo Ivanildo Rocha, um dos coordenadores da Frente Comunitária e Cidadania (FCC). Por isso, foram feitas barricadas com todo tipo de coisa – camas, colchões e diversas madeiras, além de televisões e cadeiras – na entrada principal do prédio.

Ainda segundo o Ivanildo, essa não foi a primeira tentativa de retirada dos ocupantes. O primeiro aviso teria acontecido dois meses atrás. Entretanto, o ofício não continha a assinatura do juiz. Outra informação dada por Rocha é de que um outro coordenador do movimento, Roberto Marcelino, foi preso ao tentar negociar com os policiais. A polícia militar não confirmou.

Um oficial de justiça e uma assistente social estavam no local, para acompanhar toda a movimentação.  Da janela do prédio a frente, um restaurante, onde cinegrafistas e fotógrafos buscavam melhores ângulos, era possível ver as pessoas andando de um lado para o outro, ansiosas por um desfecho. Contudo, uma adolescente chamava atenção, vestindo um moletom roxo, ela gritava talvez com os policiais, talvez com os amigos que estavam na rua, que estava com fome. Que não tinha conseguido tomar café e nem ir para a escola.

A reintegração

Sem previsão de chegar a um acordo, a polícia agiu de forma cautelosa. Primeiramente, uma fresta foi aberta na porta de metal, a fim de avaliar a situação e entender o que tinha por trás daquela entrada principal.  Depois, com a ajuda do caminhão de bombeiros e cabo de aço, fizeram a remoção da porta.

Porém, antes dos militares adentrarem de fato o prédio, o medo se fez presente. Uma moradora comunicava seu medo: “Olha aqui, vocês vão entrar, mas vão entrar na paz. Tem muitas crianças aqui”, gritava.

Apesar da forte tensão, não houve confronto direto entre a PM e os ocupantes. Assim que abriram espaço entre os entulhos, os policiais entraram, as famílias saíram. Aqueles que estavam do lado de fora, aos poucos, foram autorizados a entrar para retirar o que tinha sobrado dos pertences.

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Omissão da prefeitura

Com a reintegração feita, cerca de 150 famílias, que habitavam os 12 andares do prédio, ficaram sem ter para onde ir. A reclamação dos moradores era da falta de suporte da Prefeitura que, segundo eles, até o final da manhã não tinha providenciado um lugar para guardar o que tinha sobrado dos bens materiais.

Ocupado desde 14 de dezembro de 2006, o prédio localizado ao lado do Mosteiro São Bento, é um dos mais antigos que servia residência para os movimentos que lutam por moradias.

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