Pai de família saiu de casas invadidas para morar em prédio ocupado

 José optou mudar para a ocupação por ter mai segurança que as invasões

Um cômodo simples e vários brinquedos espalhados pelo quintal mostram uma parte da vida de José Carlos Teixeira Santiago, 36, pai de um garoto de quatro anos e morador da ocupação na Quintino Bocaiúva. Ao longo dos anos, o ajudante-geral participou de várias ocupações de casas no centro de São Paulo.

Saiba mais sobre a ocupação na Rua Quintino Bocaiúva, 242

Uma delas, a mais marcante para José, aconteceu em um imóvel em frente ao Fórum João Mendes, localizado na praça homônima. “Foi o maior tempo que permaneci em um mesmo local, quatro anos vendo o fórum da janela. Morei com outras famílias, mas a prefeitura reintegrou a casa. Se não saíssemos, a polícia e a ROTA entrariam em ação. Impressionado com eles, deixamos a residência”, lembra o experiente morador do centro.

José Carlos vive na Quintino Bocaiúva com a mulher e o filho

Os móveis simples e a casa adaptada mostram a busca por uma melhor condição da família simples que ali mora. “Eu, minha mulher e um pessoal vivíamos em casas ocupadas. Entrávamos, abríamos e morávamos. Eu e minha família permanecíamos em nosso espaço”, conta José, comparando o começo da batalha por moradia com o momento atual. Por meio de outros amigos, que já tinham participado de movimentos de moradia, conheceu a Frente de Luta por Moradia (LFM). “Quando eu vi que o chicote estava meio apertado, vim conhecer o que era o movimento”, comenta o morador do antigo casarão tombado pelo patrimônio.

Levantando bandeiras

José já participou de outras ocupações de prédios da FLM. “Eu fui dar um apoio na 9 de Julho. Via os pais com crianças e fui ver como era”, comenta o morador lembrando do Hotel Cambridge, parte da luta do movimento no centro de São Paulo. Uma das questões que mais sente falta é da presença do poder público, que “podia dar uma força pra gente”.

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Nem pensar

Quando mais jovem não pensava em morar em casas invadidas e prédios ocupados. “Nunca imaginei na vida que eu ia chegar a participar de um movimento desses. Estar com um filho de quatro anos, mulher, tudo. E participando!”, afirma. “Quando eu tinha 21 anos, via na televisão. Metendo bomba. Eu mesmo via e nunca pensei que um dia estaria no meio deles”, confessa em meio ao quintal de sua nova casa.

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