Do Moinho à ocupação na Sete de Abril, 176

Solange, 23 anos e mãe de quatro filhos, conta como foi a mudança da luta na favela até chegar à luta no prédio ocupado

O ano era 2011. Solange vivenciava um dos momentos mais críticos na história da comunidade do Moinho, no centro de São Paulo e ao lado dos trilhos da CPTM, o incêndio que atingiu vários barracos e deixou cachorros, crianças e adultos entre as vítimas fatais. Passaram-se outros incêndios e a jovem mãe continuou morando na comunidade até decidir sair de lá e ir para a Zona Norte.

Solange foi morar na Vila Brasilândia a convite de conhecidos e começou a sentir o peso do aluguel no orçamento familiar, já que a única pessoa com renda fixa na casa é o marido. Por ter 4 filhos, era complicado alugar uma casa a um preço acessível.  “Lá eu pagava entre aluguel e contas 600 reais. Morávamos eu, meu esposo e as crianças.  O dinheiro do aluguel lá custava quase todo o orçamento. Aqui (na ocupação), pelo menos, consigo comprar minhas coisas”, comenta a jovem dona de casa que ainda está se acostumando com a moradia nova.

Centro Ocupado

Solange mora na ocupação da Rua Sete de Abril, 176, há quase nove meses

Baiana, encontrou o marido, um alagoano, já em São Paulo. Morou um tempo na casa dos pais e depois  decidiu ir viver com o esposo. A jovem ainda tem familiares que moram na Bahia. “Pretendo ir para lá somente para passear. A situação é muito difícil. Aqui, meu marido trabalha e  tudo é mais perto, hospital, serviço e mercado”, comenta a dona de casa.

Ao andar pelo centro, mais especificamente na calçada da ocupação viu os dizeres sobre a dificuldade de pagar aluguel e a oportunidade de escapar desse modelo de moradia ao entrar na luta das ocupações. Vê a luta como uma batalha coletiva pelo acesso à moradia. “É muito bom. Hoje tá muito difícil pra comprar a casa, só rico consegue. Um trabalhador não tem nem chance, nem oportunidade pra comprar uma casa”.

Uma das principais mudanças na vida da família de Solange foi a saúde. A moradia e o transporte não foram tão afetados diretamente como esse quesito. Por morar em uma casa em que havia muito mofo e era abafada, um de seus filhos começou a ter problemas de respiração. “O ônibus não passava de madrugada e tinha que ficar com ele lá. Na Brasilândia é muito difícil, ninguém te ajuda. Aqui, além do pessoal ajudar, o hospital é próximo. Qualquer coisa levo meu menino lá”.

Saiba mais sobre a ocupação na Rua 7 de Abril, 176

A jovem que faz parte do movimento há poucos meses diz não haver comparação entre a situação que viveu no Moinho e a que vive na Sete de Abril. Apesar dos dois locais terem muita presença política, com debates e encontros para melhor conscientização dos moradores, Solange se sente muito mais à vontade no prédio. “É diferente. Lá no Moinho não tem ninguém pra colocar ordem. Aqui tem coordenação. O pessoal corre atrás das coisas para as famílias. Não me sentia bem lá, pois as pessoas sempre queriam arrumar confusão”.

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