O impacto visual do local ocupado

No janela do segundo andar do prédio na Rua Conselheiro Nébias, 314, um homem pedia para não entrarem no local, enquanto os novos moradores adentravam pela porta recém-aberta. Após “abrir” o prédio, vimos que esse tal morador era o segurança do prédio e foi remanejado para outro local, permanecendo no imóvel.

Entre os vários novos inquilinos, muitos estavam ali pela primeira vez, tanto no movimento como no meio de tantas pessoas de diferentes locais. Douglas, 31 anos,  é ajudante-geral e participou da ocupação após ser convidado por uma amiga da esposa. “Estou procurando uma moradia e como todo mundo veio, eu vim também pra tentar ver se arrumo um lugar”.

Era a primeira vez que Douglas participava de uma ocupação e , segundo ele (ainda nos primeiros momentos da estadia), é um escape. “Estou aqui e não é pra sempre. Assim que eu arrumar um lugar melhorzinho, que possa comprar, eu saio”, disse o jovem relacionando a nova experiência e a espera por consequências diversas de habitação, como auxílio-aluguel e programas sociais de moradia.

Encostada no batente da porta (que ainda não estava posta), uma mulher guarda o local para montar sua nova casa. Darlene Paulene de Silva, 27 anos, foi como linha de frente da família em busca do lugar na ocupação. Ao vir da Paraíba para São Paulo, quis um estilo de vida melhor, com ênfase em melhor trabalho, condição financeira e moradia.

Saiba mais sobre a ocupação na Rua Conselheiro Nébias, 314

A jovem auxiliar de limpeza (e por vezes porteira da ocupação) não aceitou mais pagar aluguel e decidiu buscar uma moradia digna e a preço acessível. “Minha irmã pediu para vir na frente e se der certo ela vem depois. Vim em busca de uma coisa melhor pra mim.  Ela tem medo e com dois filhos, um de dez e um de dezesseis anos, não pode arriscar tanto. Seja o que Deus quiser”, comenta a jovem paraibana que ainda aguardava se ficariam ou não no prédio.

A nova moradora do centro de SP conta que uma amiga tinha um terreno em Itaquera e que ela estava morando lá até ir pra ocupação. Uma das coisas que Darlene destacava era a falta de medo em encarar a situação. “Em relação a morar no prédio, eu espero que tudo dê certo. Vamos ver o que vai acontecer. Já que vim até aqui vou lutar de frente ou talvez esperar uma verba do governo do CDHU pra ver se consigo uma moradia popular”, comenta sobre uma das reivindicações dos próprios movimentos em relação ao déficit habitacional na cidade.

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