O sonho do jovem na nova ocupação

Um jovem baiano coordena um dos andares da ocupação Prestes Maia. Aos 27 anos, chegou ao prédio através da “dica” de alguns conhecidos. Gustavo da Silva participou das reuniões do grupo de base e após esse “treino” conseguiu um espaço para morar no prédio.

A porta de entrada para a coordenação foi sua profissão: operador de microcomputador. “Você conhece o pessoal e tem sua disciplina. Não era nem meu desejo, mas me chamaram. Eu ajudava nessas coisas de computador e tudo mais. Aí tive a oportunidade”, lembra o morador relacionando a participação na luta e o convite da coordenação do movimento.

Centro Ocupado

Gustavo lembra que na Bahia as pessoas não têm conhecimento desse tipo de luta política. Ao chegar em São Paulo, já participou do movimento e até brinca que o mesmo tempo que tem de São Paulo tem de ocupação. “O pessoal nem conhece e, se ouviu falar, foi na televisão. Nunca tive vontade de vir para cá, mas meu sogro mora aqui. Minha mãe é paulista, mas nunca tive vontade”.

No final de 2012, o operador de microcomputador decidiu mudar-se para São Paulo. “Gostei. Fiquei aqui um mês pra ver como que é”, comenta Gustavo ao lembrar o início da vida na ocupação.

Saiba mais sobre a ocupação na Avenida Prestes Maia, 911

O sogro mora na Vila Cachoeirinha, zona norte de SP. Ao procurar uma casa pra alugar, Gustavo teve dificuldades. Casado, mas sem filhos, pensou que, por não ter crianças, conseguir um aluguel barato seria mais fácil, mas na região central não conseguiu um local acessível.

Em relação a como a ocupação pode repercutir na sua vida, ele comenta: “Tem um reflexo. Não teve um choque, porque não tinha ouvido falar nisso. Lá na Bahia há o Programa Minha Casa Minha vida. Isso aqui não acontece lá. Foi uma coisa nova. Uma experiência fantástica”, explica Gustavo comentando o que mudou na sua vida após a ocupação.

O espaço no Prestes Maia pode ser considerado um bairro verticalizado. “Aqui moram famílias de várias origens. A ocupação é um bairro como outro qualquer. Todos os tipos de pessoas. Vários temperamentos. A ocupação é uma vida própria”.

Gustavo comenta que as conversas com a mulher sobre a ideia de morar na ocupação foram tranquilas, apesar da nova moradia ter sido cercada de dúvidas pelo casal. “Ninguém ficou com pé atrás, mas não sabíamos como era. Como é isso, aquilo? Só havia dúvidas”. Em relação a se acostumar à vivência no local, diz que já está bem, mas que o começo era complicado. Subir onze lances de escada é complicado. “No começo, descia pra comprar pão. Comprava uma vez em maior quantidade pra não descer de novo”, comenta Gustavo.

O ponto comum em relação aos moradores do prédio é o atendimento da prefeitura, a mesma batalha enfrentada pelo jovem operador de microcomputadores. “Estou no atendimento. Todo mundo aqui espera o atendimento”. Gustavo não aguarda nenhuma “doação do governo”, apenas busca uma moradia que seja acessível a sua faixa salarial.

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