Um recado no caminho do vestibular

Roseana Rosa era professora concursada em São Luís (MA), quando trouxe a sobrinha para São Paulo. Isso foi há 15 anos e a mulher que decidiu ajudar a irmã solteira na capital paulista, hoje vive em uma ocupação no centro de SP. “Eu vim só pra trazer minha sobrinha, quando tinha pouco mais de um ano. Aqui eu vi a dificuldade da minha irmã em cuidar da filha sozinha. Fiquei comovida e deixei tudo para apoiar minha irmã”, lembra Roseana.

Centro Ocupado

A maranhense de 43 anos morou primeiramente em uma casa da afilhada, cedida como abrigo no início, e depois , sempre morou em imóveis de aluguel. “Todo trabalhador público é mal remunerado e em São Paulo é muito caro o aluguel. Ou você paga o aluguel ou você sobrevive”, comenta a professora ao lembrar o quanto gastava com moradia antes de viver na ocupação.

À primeira vista

Roseana acordou cedo para realizar a prova do Enem em 2012. Acompanhada da filha, a professora passou pela Rua José Bonifácio e viu a placa do movimento “convocando” pessoas que se encontram em situação financeira complicada por causa do aluguel: “Se você não tem onde morar ou precisa de moradia, nos procure”. Ela procurou os coordenadores do movimento e “está lutando por uma moradia hoje”.

A questão não é invadir um espaço privado ou público. A moradora do Hotel Cambridge defende ser “simplesmente um modo de mostrar pro governo que os trabalhadores públicos de baixa renda precisam também. No norte, nordeste, tem Minha Casa, Minha Vida”, diz a professora que demonstra certa indignação pelos funcionários públicos viverem nesse sufoco, sem uma legislação específica para tais profissionais, em relação à moradia popular. “Independente de você ser professor ou enfermeira, se você é trabalhador público ou de baixa renda, você também tem que entrar nesse projeto pra pagar sua moradia. Eu tenho uma moradia e essa moradia paguei com meu esforço”.

O tempo passa

“Sempre perguntava como esse povo de baixa renda mora no centro de SP e a gente que trabalha e luta, mora na periferia?”. Ela teve um certo receio antes de participar da luta, mas foi conhecendo o movimento e viu que era uma coisa mais segura. “Nosso país vive de trambicagem desde o político até o último da pirâmide. Depois que comecei a conhecer, vi que é sério e que aqui é realmente uma luta por moradia”, comenta Roseana.

Saiba mais sobre a ocupação na Avenida 9 de Julho, 216

Outra “bandeira” que a moradora levanta e defende é a do custo da moradia digna. “Queremos pagar pra ter nossa casa. Isso aqui é meu porque paguei com meu esforço”. Mesmo em sua primeira ocupação, Roseana promete continuar no movimento. “Mesmo se eu for contemplada, quero lutar por outras pessoas, pelas pessoas que não conhecem o movimento, mas precisam conhecer”, diz ao lembrar de quanta gente passa pelos mesmos problemas financeiros que teve, mas não conhece a luta por moradia.

“Quem não luta, tá morto”. A frase emblemática, muito usada pelos moradores e líderes do movimento de moradia, surge como um brado no meio da conversa com Roseana. “A luta é parte da conquista dos movimentos de moradia e nada nessa vida a gente conquista sem luta”, comenta a moradora ao ser questionada sobre os planos para um futuro na ocupação.

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