A mudança mesmo tendo a casa própria

Após o falecimento do neto, Maria decidiu ceder a casa aos pais do menino

Deitada, uma senhorita de 47 anos descansa a sesta por volta de umas 16h de um dia nublado. Maria Lucia de Moura trabalha como faxineira, mas por uma fratura na mão está afastada e recebe um auxílio do INSS. Sua primeira ocupação é uma reunião de histórias.

O pai do genro de Maria ajudou os meninos da chamada linha de frente a “abrir” o prédio, mas decidiu não ficar no local. Junto com sua filha, decidiram também deixar o espaço livre. No entanto, houve um baque. Maria ficava sem o neto e os pais perdiam o filho de três anos em um momento financeiro tão complicado quanto o emocional. “Logo depois da morte do meu netinho queria tirá-los do aluguel pra ver se amenizar a dor de perder um filho”.

Centro Ocupado

Ela decidiu ceder sua casa na Zona Sul, no Jardim da Saúde, para o casal viver. Então foi morar na ocupação da Rua José Bonifácio, 237. “No início, aqui foi sofrido. Agora tá ótimo. Agora nem eu quero sair mais daqui”. Um dos problemas apresentados por Maria era o transporte da água “Não tinha nada. Carregava água lá na portaria. Hoje, pode se dizer que isso aqui tá uma maravilha”.

Na ocupação, Maria ficou apenas com o filho. “Ele queria ir embora no início, queria fica com a irmã. Dizia que iria sair a qualquer momento do prédio”.

Maria fez um esforço muito grande ao ceder sua casa própria e ir viver na ocupação, mas ela pensa ser uma parte da bondade feita pela filha. “Eu acho que eu fiz o bem. Era muito esquisito aqui, muita gente esquisita. Agora é uma paz. Ela vem muito aqui. Tenho esperança que consegui ajudar”.

Minha casa é um barraquinho que construí com meu suor. O imóvel era meu e do meu filho, mas como eles pagavam aluguel, eu passei pra eles. O sofrimento era muito grande. “Aqui não deixo ele sair. Ele fica numa rotina da escola pra casa. Só sai comigo. Ele tem 12 anos, levanta nove horas, fica no computador, toma banho e aí vai pra escola”, comenta Maria ao ficar até um pouco triste por ter que restringir a vivência do filho mais novo.

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