Do interior veio a vontade de mudar de vida

Tímida, a matriarca da família abre a porta de madeirite de sua casa e conversa encostada ao batente. Vendedora de tapioca, Taciana Gomes, 26 anos, morava em Campinas (SP), mas o valor do aluguel, muito caro, fez com que saísse do interior e viesse morar na ocupação no centro paulistano.

A jovem camelô diz que a experiência da ocupação foi muito boa. “Pagava R$ 700 de aluguel em dois cômodos. Era muito difícil pra mim. Tenho duas crianças e sempre faltava alguma coisa. Agora tá bem melhor aqui. Mesmo que seja ocupação, aqui todo mundo vive num coletivo”, comenta a moradora ao falar sobre o auxílio que recebe de alguns moradores quando precisa. “Se precisar e tiver, todo mundo ajuda. Já pedi pra pessoal do prédio ficar com meu bebê”.

Centro Ocupado

O lugar onde vende mais é em frente a uma igreja evangélica no centro da cidade também. “Depois que vim pra cá, minha vida mudou muito. A gente tem mais possibilidades de conseguir mais coisas”. O convite surgiu através de sua cunhada, que mora na ocupação da Avenida Ipiranga. Em novembro de 2012, decidiu ir morar na ocupação. “Onde ela mora já está cheio, então vim pra cá”.

Saiba mais sobre a ocupação na Rua José Bonifácio, 237

A ocupação

A luta pela casa própria para Taciana começou no dia da ocupação do imóvel e ela lembra o dia da entrada no local. “Foi uma adrenalina. Ficar esperando juntar bastante gente, entrar e “ficar de boas”. Espero ir para minha casa própria. Graças a Deus estou até hoje aqui”.

No dia, Taciana deixou os filhos com a cunhada com medo da multidão e da tensão do momento. Depois de um mês, ela diz ter levado as crianças de vez para a ocupação. “Minha menina não gostou muito. Agora quando a gente vai para casa do vô, ela pede para vir pra cá”.

Segundo a jovem moradora, a mudança em sua vida foi significante. “Amadureci demais. Vi que nessa vida a gente tem que lutar para ter o que a gente realmente quer. Já vi muita gente que saiu e quis voltar para a ocupação. Sempre falaram que teria reintegração de posse, mas nunca desisti. Se um dia sair a casa, não saio do movimento. Ajudarei quem ainda não tem seu apartamento”.

A filha é uma das pessoas mais companheiras de Taciana, já que o marido também trabalha e fica muito tempo fora. A jovem mãe lembra uma conversa que teve uma vez com a menina: ” Ela me disse que eu era muito forte. Tive coragem pra deixar minha casa e vir lutar”.

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