Do Heliópolis ao centro, o aluguel faz mais uma vítima

Cansada, Claudete, 43, sobe um a um os degraus da escada que levam até o terceiro andar do prédio localizado na Avenida São João, 288. Os ponteiros do relógio já passavam das seis horas da tarde. Ela, pequena, cabelo alourado, chegava à sua nova casa depois de mais um dia de trabalho.

É apenas o seu segundo mês de estada ali. Sua história é comum aos moradores de ocupação. Antes, vivia de aluguel, em dois cômodos na favela de Heliópolis, zona sul de São Paulo. Entretanto, no final do mês faltava dinheiro e sobravam contas.

Centro Ocupado

“Eu pagava R$ 400 num quartinho e cozinha, menor que essa. Mais chovia dentro do que fora da casa. A proprietária me deu um mês para sair. E como estão construindo os apartamentos (das moradias populares), o povo queria dois meses de aluguel por causa do Bolsa Família (programa do governo). E pra mim não dava, eu ganho R$ 840”, explica.

Saiba mais sobre a ocupação na Avenida São João, 288

Ficou sabendo do movimento por conta da sobrinha, que está no prédio desde o primeiro dia da ocupação. Separada e mãe de dois filhos adolescentes – um menino de 15 anos e uma menina de 10 anos, Claudete não encontrou alternativa.

Sem preconceito

Num primeiro momento, sofreu certa desconfiança dos colegas de trabalho. A copeira, que trabalha em um prédio na Avenida Paulista, lembra a reação do seu chefe ao saber que ela iria morar numa ocupação: “Ele me olhou meio assim e perguntou se não tinha perigo de morar numa invasão. Por que é assim que eles chamam. Mas, eu expliquei e ele entendeu”, conta.

Para ela, entretanto, nunca houve problemas: “Eu gosto, pra mim é normal”, disse Claudete, que até recebe visitas nos finais de semana dos companheiros de serviço.

Perto do centro, perto de tudo

A proximidade e o fácil acesso ao transporte público é um dos principais pontos positivos de se morar no centro da cidade, do qual Claudete também faz uso: “Morar no centro é mais fácil. Todo final de ano eu vinha de lá pra cá, pra comprar roupa. Agora eu faço uma caminhada e vou pra 25 de março, vou pro Brás”, confessa entre risos.

Além disso, o trajeto para o trabalho também ficou mais rápido: “Antes eu gastava uma hora. Agora eu gasto uns 20 minutos no metrô. Estou chegando até mais cedo. Antigamente eu chegava 7h40, 7h50, agora eu chego 7h15, 7h20”, analisa.

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