Há esperança de que o raio caia duas vezes no mesmo lugar

Subvertendo o ditado popular, Silvana Maria Cordeiro já abriu mão de um apartamento próprio e agora espera uma segunda oportunidade.

A ligação entre Silvana, 35 anos, e os movimentos por moradia começou cedo, ainda adolescente. Aos 15 anos, saiu da Paraíba e veio para São Paulo à procura de emprego, junto com a tia. Estabeleceram-se na grande cidade e moraram juntas por dois anos, pagando aluguel.  Mas, Silvana engravidou e a tia a expulsou de casa.

Sem ter para onde ir e ainda sem conhecer a cidade direito, a menina ainda jovem, foi para a ocupação, dividir um espaço com uma amiga, que lhe apresentou o movimento. “Essa minha amiga morava no Casarão, ela falou do movimento, que tinha alguém representando, perguntou se eu gostaria de participar. Como minha tia queria que eu saísse da casa dela, fui morar a minha amiga até surgir um espaço pra mim e para o meu filho”, contou.

Centro Ocupado

A sua primeira ocupação foi a Mauá. Morava com o filho, que hoje tem 18 anos e está casado. A partir de então, a ‘menina-quase-mulher’ se fez ativa na luta por moradia. Participou de diversas ocupações e reintegrações. Conseguindo, inclusive, uma casa própria. Ainda assim, preferiu a vida na ocupação. A casa ofertada foi no bairro Cidade Tiradentes, extremo leste da cidade, e por isso ela não aceitou. “Só abri mão por que fiquei com muito medo de ir pra lá. Eu era muito nova e fazia pouco tempo que tinha chegado em São Paulo”, explicou.

As voltas da vida

Atualmente, vive no prédio da Avenida Rio Branco,53. Mas, quando conversou com a reportagem do Centro Ocupado, fazia apenas dois meses que tinha se mudado.  Casou-se e, como o marido tinha casa própria, deixou a vida de ocupante de lado.

Entretanto, o relacionamento não deu certo. Após o término, Silvana ficou sem lugar para morar mais uma vez. Durante quatro meses, percorreu pensões e albergues até conseguir uma vaga no prédio que hoje é a sua nova casa.

“É muito bom morar numa ocupação. Quando você mora num quarto de pensão não tem regra, ao contrário da ocupação. Aqui você não pode andar de toalha no corredor, não pode chegar tarde da noite, nem fazer bagunça. Tem regra. Tem um limite para cada pessoa, é muito organizado”, analisa.

A luta não para

Por tudo isso, acredita no movimento.  E não acha possível conquistar a moradia própria de outra maneira.  “Se você for ao banco, você não consegue comprar uma casa, nem financiar nada. Eu já saí [do movimento] e quebrei a cara lá fora. A gente só consegue se for todo mundo lutando junto, fazendo passeata, indo ao fórum”, desabafa Silvana que hoje está desempregada.

Hoje, mais madura, busca uma segunda chance de conquistar a tão sonhada casa própria. Num exercício de imaginar a vida mais a frente, ela projeta: “Minha vida será bem melhor, vou morar no que é meu”. Além disso, Silvana quer ajudar o filho a também conseguir uma moradia: “Ele não mora em ocupação ainda por que não tem vaga, mas vou conquistar a minha luta e ajudar meu filho a conquistar a dele”. E confessou: “Dessa vez eu vou agarrar a chance com unhas e dentes”.

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