O filho distante e a batalha presente

O tempo na ocupação é seu “tempo de movimento”. A causa da ida à ocupação foi o custo de vida, que não daria para bancar um aluguel, já que José ainda não tinha trabalho e era recém-saído de uma clínica de reabilitação para viciados em álcool. José Pessoa de Lima esteve desde os primeiros instantes (quando abriram a porta) na ocupação da Rua José Bonifácio, 137.

A fase de recuperação do tratamento era na Rua dos Gusmões, onde havia outro local ocupado pelo movimento e teve conhecimento da “festa”. O cearense de 29 anos mora em São Paulo desde 1994 e teve muitos problemas na cidade nos últimos anos, quando acabou indo para a ocupação ao tentar mudar de vida.

Centro Ocupado

Sempre pensou em lutar pelo lado particular, mas pensa que o modelo de luta da ocupação pode ser um novo caminho. “O negócio do pessoal tem um lado particular, mas o lado coletivo é mais importante. O certo é estar lutando com e pelo povo. Creio que no fim vai dar certo”. Segundo José, é estranho em um primeiro momento ter que conviver com várias pessoas diferentes. “Você indaga: Será que vai? Aí você vê as coisas dando certo e passa a acreditar”.

José se sente parte da organização. Segundo o morador, quando você vê dando certo, você aprende a ser parte daquilo. Entrou na faculdade de Ciências da Computação por causa da ocupação, que, além da proximidade com universidades, possibilitou que investisse em seus estudos. Entre as experiências e lições aprendidas na luta por moradia, superou dificuldades e entendeu como enfrentá-las quando aparecer alguma. Mostra muito mais confiança ao falar e ao viver.

E depois?

“Se eu receber conhecimento, tenho que passar conhecimento”. Esse é um dos lemas de José em relação à sua luta junto ao movimento. Espera poder ensinar outras pessoas a lutarem pelos seus direitos e conscientizar as pessoas das mudanças possíveis na vida delas. “O principal é perseverança”.

O filho ainda é muito novo pra entender o que é uma ocupação, mas aos poucos José tenta mostrar esse lado da vida, com dificuldades e persistência em que o pai se encontra. “Meu filho Miguel veio aqui já. Ele tem seis anos. O primeiro degrau é ele se acostumar, depois vou ensinando”.

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