Segurança e respeito: valores chaves de uma ocupação

Entre os fios tingidos em castanho, destacam-se alguns brancos, indicando que os 52 anos vividos até agora foram duros. Rosa Maria de Paula – hoje residente da ocupação Xavier de Toledo, 150– vive na luta por moradia há um bom tempo e já morou em algumas ocupações, como nos contou ao lembrar da primeira reintegração que participou com o movimento. “Na Duque de Caxias passei pela primeira reintegração da minha vida. A polícia chegou e depois nós fomos para outras moradias, foi quando cheguei na Brigadeiro Tobias. Dali nós fomos para São João de esquina com a Ana Cintra. Depois tiveram outras moradias e eu não peguei porque a distância era longa. Eu trabalhava na Granja Julieta e morava na Tiradentes. Agora voltei para cá”.

Centro Ocupado

Rosa entrou no movimento por intermédio de um amigo de trabalho que a convidou para uma reunião. A princípio, não sabia muito bem como funcionava, nunca tinha escutado falar sobre o assunto. O encontro foi próximo à estação Armênia (Linha 1 – Azul do Metrô) e Rosa não lembra o nome do movimento, nem ao menos das pessoas que estiveram ali, mas bastaram duas reuniões para que a ajudante de limpeza estivesse participando de sua primeira ocupação.

“Fomos ocupar um prédio na Avenida Duque de Caxias. A polícia apareceu e tivemos três longas horas de negociação com eles, antes de entrarmos”, lembra. O que Rosa e os demais militantes não esperavam é que a polícia voltaria após dois dias e tiraria os moradores do prédio. De lá, o movimento ocupou um prédio na Brigadeiro Tobias, onde as mesmas pessoas puderam se estabilizar. “Lá foi ótimo. Além de maior, pude sentir como é bom ter sua própria casa e vida”.

Saiba mais sobre a ocupação na Rua Xavier de Toledo, 150

Um dos prazeres de morar na ocupação, segundo Rosa, é poder se sentir seguro sempre. “Aqui temos muita confiança nas outras pessoas. Todas trabalham e o respeito é mútuo. Ninguém te critica, independente da situação em que você se encontra. Existem pessoas que só usam a gente, aqui não, todos se importam um com o outro”.

Antes de finalizar, Rosa contou uma história curiosa, explicando por que deixou de morar na Cidade Tiradentes quando buscava por um cadastro de moradia. “Eu moro sozinha. Minha família é do interior, então, ando sempre sozinha. Nessa época, o maníaco do parque estava atacando e isso me deixou com muito medo. Acabei saindo de lá e voltei para a ocupação”.

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