A economia por uma vida melhor

Victor vivenciou as duas faces de São Paulo: a da cidade grande com várias oportunidades e a do elevado custo de vida

De família peruana, Victor Manuel, 34 anos, morou durante muito tempo em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Veio para a terra da garoa ainda adolescente, junto com o pai, em busca de uma melhor qualidade de vida. Em São Paulo, casou-se e constituiu uma família.

“Aqui você tem mais oportunidades, lá você não encontra emprego. Tem que ter algum conhecido. Aqui não, pois até sem experiência você entra e é contratado”, explica com seu sotaque carregado.

Centro Ocupado

Junto com a esposa e os dois filhos, o peruano estabeleceu emprego e moradia no bairro do Brás. Victor era mais um comerciante da ‘feirinha da madrugada’. As despesas totalizavam R$ 650, somando água e luz.  Caso quisesse receber algum hóspede, uma taxa extra era cobrada. “A dona do lugar onde eu morava cobrava sempre pontual. Se a gente passasse um dia, dois dias, ela cobrava 30% a mais. E não tinha essa comodidade, se alguém chegasse pra me visitar e ficar uma semana ela já cobrava a mais. Minha conta ia só crescendo”, conta.

O aperto, que já era grande, aumentou com o fim da feira da madrugada.  Victor e a esposa ficaram sem emprego e sem renda. Foi quando conheceram o movimento e mudaram-se para o prédio da Avenida Rio Branco, 53.

“Quando acabou a feirinha, acabou tudo. Por que não tinha trabalho, não tinha nada. Minha mulher também ficou meio desesperada porque estávamos os dois sem trabalhar, tinha que levar as crianças pra estudar, de metrô, passagem e todas essas coisas”, confessou.

Atualmente, trabalhando como açougueiro de uma rede de supermercado, vê na luta por moradia uma forma de economizar dinheiro e não sofrer com os percalços da vida: “Agora a gente tá vivendo um pouco mais tranquilo, né? Acalma um pouco mais o estado da pessoa. Já não fica mais aquela tensão de ter que juntar dinheiro pra pagar isso ou aquilo”, comentou.

De volta para minha terra

O aluguel assuntou tanto, que caso haja uma reintegração de posse, Victor prefere voltar para a terra natal. “Caso não der certo aqui, a gente prefere voltar para o nosso país. O aluguel subiu muito. Lá pelo menos tem a casa da família. Pelo menos não paga aluguel, só ajuda com uma coisa ou outra”, disse o peruano olhando para a esposa como quem esperava uma afirmativa.

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