Longe de casa para batalhar por moradia

Da ocupação na Avenida Rio Branco, 47, Carmen Cidilândia da Silva Rodovalho foi coordenar a ocupação na Rua Quintino Bocaiúva, 242. Essa “peregrinação” na luta é recente e começa na mudança da morena baixinha de 38 anos de São Vicente para São Paulo por motivos profissionais. “Participei do movimento no litoral. Vim direto pra ocupação. Fiquei na empresa por cinco meses e entrei na ocupação”. Na mudança, ela foi direto morar na ocupação da Rua Rio Branco.

A líder da ocupação diz que sempre gostou de luta. Com isso, foi um passo rápido ir trabalhar em partidos políticos. No início foi o PMN, onde morou por um tempo e com a saída do emprego teve que mudar de casa. Após um mês na antiga ocupação, houve uma reunião para ocupar o imóvel na Quintino Bocaiúva. Lembra a diferença entre as experiências, pois lá chegou e o prédio já estava ocupado. Um dos motivos que levaram a moça a seguir na luta pela moradia no centro, foi o leque de oportunidades de empregos na região.

Centro Ocupado

Em relação às experiências às ideias sobre o movimento, ela tenta conversar e passar aos outros moradores, os que se interessam, as diretrizes da luta por moradia. Além disso, ela também auxilia na formação dos grupos de base. Já em relação às crianças, diz ter um número bem reduzido dos pequenos ocupantes e que não há tanta preocupação, pois há muita restrição e que pensa em desenvolver um espaço que lembre uma brinquedoteca, já que apesar de poucos, eles precisam se divertir no prédio.
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Durante o início da ocupação, o proprietário não havia se manifestado. Após um certo tempo, ele entrou com pedido de reintegração. No entanto, a situação deve ser mais complicada, pois o prédio é um edifício tombado pelo Patrimônio Histórico. “A gente quer transformar esse prédio. A intenção é que consigam a desapropriação, já que é um prédio tombado. A proprietária tem dívidas e só pode ser vendido para órgão público”.

A batalha

A luta na ocupação atual começa no segundo turno das eleições e foi um “aviso” ao prefeito da cidade. Foram onze prédios ocupados na madrugada do dia 27 de outubro de 2012. Carmen foi convidada pela xará, coordenadora de outros prédios na cidade também. “Carmen convidou a gente para a “festa” e viemos aqui de madrugada e entramos no prédio. Limpamos o lugar. Sem luz, sem água. Fomos arrumando devagarzinho”.

“Quem ajudou a abrir a porta, não mora mais aqui”. Em uma semana, maioria das pessoas que haviam ajudado a limpar e organizar o prédio, foram saindo e os moradores foram chegando. “Geralmente chegam umas 50 famílias. O pessoal fica 24h para poder legitimar a ocupação”. Muita gente pede para sair por causa do trabalho. Depois disso, a gente vai limpando. As demandas vão chegando e o pessoal vai voltando.

O prédio

Por conter uma dívida, o prédio só pode ser vendido a um órgão público e a intenção dos moradores é a de que a Caixa, em sociedade com a CDHU, consiga reformar o prédio a fim de transformar em moradia para os atuais ocupantes.

No início, como em algumas ocupações, a cozinha é comunitária e existe uma dependência maior dos moradores. No entanto, nessa fase mais recente, segundo a coordenadora,  todos já conseguem ter uma maior privacidade. Além da parte social, Carmen explica que um grupo de moradores que se interessam pela causa, é orientados sobre questões politicas e jurídicas, afim de criar um grupo de base para o futuro da ocupação.

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