Sem arrependimentos: o segredo da luta é acreditar sempre

De Minas para São Paulo, o ajudante de motorista Florentino Dias de Brito, de apelido Itaipava, saiu da sua cidade natal em busca de melhores condições de vida. Antes da vida nas ocupações, morou na casa do cunhado.

“Vendi tudo o que tinha lá, só não vendi a casa. Mas o que tinha dentro de casa, usei para comprar as passagens para vir. Veio todo mundo junto: eu, minha esposa e meus três filhos”, diz o mineiro de 45 anos.

O seu primeiro contato com o movimento de moradia foi através da cunhada, há 7 anos. Foi ela quem o incentivou a participar das reuniões. Segundo Itaipava, atualmente ela vive em um apartamento conquistado através da luta: “Ela me falou para fazer parte do movimento que eu iria conseguir”, contou.

Centro Ocupado

E realmente conseguiu. Por duas vezes Florentino foi atendido, mas deu sua vez – e sua casa – para outra pessoa; sob a justificativa de que os apartamentos ficavam em bairros muito distantes. Isso dificultaria a sua vida, que está toda no centro da cidade. Ainda assim, sonha  conquistar um teto.

“O que me marcou bastante foi ver várias pessoas sendo atendidas, pegando a chave do próprio apartamento. E esperar minha vez, que vai me marcar bastante também. O objetivo é conseguir o cadastro num lugar bom, para colocar a família e ficar tranquilo”, desabafa.

De cabeça erguida sempre

Sair de Minas não foi o problema: “Lá não oferece trabalho, então foi tranquilo, porque aqui estamos lutando”, conta Florentino enquanto desliga o celular para não ser incomodado.

Ele que é coordenador do seu andar, estava fazendo a portaria do prédio da Mauá, onde mora atualmente com a esposa e dois dos três filhos, quando a reportagem do Centro Ocupado chegou. Segundo Itaipava, não houve estranhamento ou resistência por parte das crianças.

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“As crianças não estranharam e gostam da nova vida. Pra mim foi uma coisa totalmente nova, né? Porém, aos poucos, fui aprendendo. É difícil, é muita luta. Não pode abaixar a cabeça, senão já era”, explica.

Quando questionado sobre o que vai fazer mais falta quando deixar a ocupação, diz que é da solidariedade das pessoas, principalmente na época de festas: “O que marca demais aqui são as festinhas que a gente faz no final de ano, comemoração de natal, quando o prédio faz mais um ano. Todo mundo participa, é muito bom. Somos como irmãos, mexeu com um, mexeu com todos”.

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