Conexão Haiti-Brasil: uma estrangeira morando na ocupação

Simpática e um pouco envergonhada, a haitiana de 28 anos contou um pouco da sua história de vida

Ismalie Claude Marie Lucie saiu de casa aos 16 anos e há sete meses mora numa ocupação no Centro de São Paulo, mais especificamente na Rua Capitão Salomão, 55, com o marido. Mais conhecida como Maria, uma adaptação do seu nome de origem francesa, é bem humorada e trabalha como camareira. Seu objetivo? Conquistar uma casa, formar uma família e trazer os pais para morar com ela.

Antes de chegar a São Paulo, a haitiana passou por Tabatinga (AM) e Manaus (AM). Entretanto, saiu do seu país natal ainda menina: “Meu país é um país muito pobre. Sai de lá para estudar, trabalhar e para ajudar a minha família. Fui para o Equador estudar. Sou enfermeira formada”, conta.

CentroOcupado

Foram três anos trabalhando como empregada doméstica em casa de família, mas a vida estava difícil, não havia mais garantia de nada. Foi uma prima quem encorajou Claude a mudar novamente de país. “Brasil melhor do que o Equador”, repete as palavras da prima.

Fato que foi constatado logo no começo da estadia em terras tupiniquins. Estava trabalhando já no segundo dia de Brasil, ainda lá no Amazonas. “Tem trabalho para todo mundo. Só não trabalha quem não quer”, garante ela, com seu portunhol enrolado.

 Ainda em busca de alguma estabilidade financeira, pegou um avião em Manaus e aterrissou em Campinas, seguindo, de táxi, até São Paulo. Foi na Terra de Garoa, através de uma amiga, que teve o primeiro contato com o movimento por moradia e viu a vida melhorar.

 “Nós temos família no Haiti pra ajudar. Salário é pouco. Para comer e pagar aluguel tá ruim. Agora que estamos na ocupação estamos felizes”, diz Ismalie Claude Marie Lucie, referindo-se também ao seu marido. Morando em ocupação, os dois conseguem mandar dinheiro para as famílias.

A felicidade relatada pela haitiana se dá também pela receptividade e pelo bom entrosamento com os colegas. Ela conta que dentro da ocupação todos são respeitados, não existe diferença de cor, credo ou mesmo nacionalidade. E vai além, acredita na força do movimento e espera conseguir o seu próprio apartamento para, então, trazer seus pais para perto e constituir sua família.

“Quer juntar mais dinheiro para fazer uma família. Para não fazer um ladrão aqui no Brasil. Para fazer uma pessoa boa. Uma pessoa para estudar e me ajudar, que quando ficar grande falar que tem uma boa mãe”.

Mas o sonho mesmo é poder retribuir o carinho e o empenho que os próprios país tiveram. “Somos cinco irmãos, todos estudados, formados. Lá no Haiti não tem aposentadoria, a pessoa trabalha até morrer. Agora eu não posso fazer isso [trazer os pais], fica ruim. Mas Deus vai dar vida para a minha mãe e para o meu pai, para eu fazer isso um dia”, finaliza.

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